Brasília/DF - Uma comissão
suprapartidária de vereadores do município de Porto de Moz, no oeste do Pará
esteve na capital federal esta semana, acompanhados pelo deputado federal
Arnaldo Jordy (PPS/PA), em audiência em vários órgãos, onde apresentaram
denúncias envolvendo a administração daquela cidade, envolvendo recursos do
Fundeb, fruto de investigações de uma Comissão Parlamentar de Inquérito - CPI da
Câmara Municipal, cujo relatório foi aprovado por unanimidade em dezembro
último.
O Fundeb - Fundo de Manutenção e
Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da
Educação Básica, atende toda a educação básica e a destinação dos investimentos
é realizada de acordo com o número de alunos da educação básica, com base em
dados do censo escolar municipal do ano anterior. O acompanhamento e o controle
sobre a distribuição, a transferência e a aplicação dos recursos do programa são
feitos em escalas federal, estadual e municipal por conselhos criados
especificamente para esse fim.
As denúncias oriundas da CPI, levantadas para o
período de 2009-2010, se originaram em depoimento do ex-secretário de educação
de Porto de Moz, que citou desde fraudes no senso escolar, até construção
irregulares de escolas, todas documentadas em um relatório com cerca de
mil páginas e um CD-ROM com fotos e vídeos, entregues às autoridades
federais.
O montante de recursos desviados do Fundeb pela
atual administração do prefeito Rosibergue Torres Campos (PTB), e levantados
pela CPI, atinge a impressionante cifra de 10 milhões de reais. A principal
forma de fraude foi detectada na fraude do Senso Escolar, com a elevação
do número de alunos na rede municipal para 16 mil. Segundo o IBGE, Porto de Moz
possui 12 mil alunos em idade escolar, para uma população de 34 mil
habitantes.
Nas denúncias protocoladas, estão os registros
bancários, levantados com autorização judicial, onde foram detectados saques e
depósitos de valores entre 1 mil e 300 mil reais, para empresas, particulares,
funcionários públicos e até parentes do prefeito, que ouvidos na CPI, não
souberam ou não quiseram explicar o motivos das movimentações irregulares. Entre
outras denúncias, há ainda de merenda com validade vencida e até construção
irregular de escolas.
Para o deputado Arnaldo Jordy, as
denúncias fartamente documentadas revelam o descalabro administrativo que tomou
conta do município, sem que as autoridades tenham ferramentas eficazes e mais
rápidas para estancar um verdadeiro vertedouro de verbas públicas. "Cerca de 63%
dos municípios do Pará possuem pendências no TCM por conta do Fundeb ou recursos
da saúde. São mais de 80 municípios. A sociedade deve ficar cada vez mais atenta
a estes maus gestores públicos e à vulnerabilidade dos processos de fiscalização
fiscal", concluiu o parlamentar paraense, que defendeu ainda a parceria de
órgãos como TCM e a Controladoria Geral da União.
Visitas
Para o Secretário Federal de Controle da Controladoria Geral da União - CGU, Valdir Agapito, o relatório apresentado pelos parlamentares, deve dar agilidade ao aprofundamento das investigações que devem acontecer em parceria com o Ministério Público. "O Fundeb é um atrativo para os corruptos. O fundo deverá responder este ano por 100 bilhões de reais em investimentos, e para os maus gestores, é quase irresistível, porém temos o dever de investigar e puní-los", afirmou o executivo, que recebeu em audiência os parlamentares.
No Fundo Nacional de
Desenvolvimento da Educação - FNDE, autarquia vinculada ao Ministério da
Educação, e responsável pelo Fundeb, a comissão foi recebida pelos responsáveis
pela fiscalização das verbas do Fundeb, que registraram as denúncias e afirmaram
que todas serão verificadas, inclusive se necessário, com verificações no
município.
E
na manhã desta quarta-feira (14) os vereadores foram recebidos pelo chefe da
assessoria parlamentar do Ministério Público na Câmara Federal, José Martins
Arantes, que garantiu que todos os esforços necessários para dar andamento de
averiguação das denúncias serão envidados.
As
investigações da CPI contaram com o acompanhamento do Ministério Público do Pará
e o relatório foi entregue ao Tribunal de Contas dos Municípios - TCM/Pa.


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